Contra-Baixo

Contra-Baixo
Contra-baixo para sempre é minha vida......

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Como não ser enganado na hora de comprar um instrumento

Como não ser enganado na hora de comprar um instrumento
Uma pessoa vai a um luthier, deixa um violino para
ser restaurado e faica de retornarna semana seguinte.
No dia seguinte outro cliente aparece no atelier e
demonstra muito interesse pelo violino do nosso
primeiro personagem. O interesse é tanto que ele
se oferece para comprá-lo por US$ 5.000 e fica
de retornar depois para negociar. O luthier logo
pensa que 5.000 por algo que vale US$ 1.000 é
um excelente negócio.
Quando o dono do instrumento retorna, o luthier,
sem demonstrar muito interesse, se oferece para
comprar o violino e oferece US$ 1.000 caso a
resposta seja afirmativa.
O proprietário pondera sobre o valor sentimental
do instrumento, sobre sua sonoridade e até suas
qualidades “extraterrenas” mas deixa claro que
vende o violino por US$ 3.000.
O luthier vê que um lucro de US$ 2.000 é bem
menor do que os US$ 4.000 que imaginava
inicialmente mas, ainda assim, é um lucro
muito bom para uma simples venda.
O luthier então paga os US$ 3.000 e fica
aguardando o cliente que pagaria US$ 5.000.
Acontece que esse “cliente” nunca mais retorna
e o luthier ganancioso fica com o prejuízo de
ter pago US$ 3.000 por algo que no máximo venderá
por US$ 1.000. Os dois “clientes” agiam em conjunto
e provavelmente gastaram juntos o dinheiro
conseguido de maneira tão fácil.

Essa história mostra como é possível se enganar
um luthier (principalmente se ele for ganancioso e desonesto)
e dá até a dica para se prevenir, mas o que interessa para
os músicos em geral e os contrabaixistas em nosso caso
particular é como evitar que o músico seja enganado na hora
de adquirir seu instrumento ou quando necessitar restaurá-lo.        
Existem armadilhas muito sutis e que podem ser evitadas.        
Uma prática muito comum antigamente, na Europa e nos grandes
centros era a seguinte: Um músico (ou luthier ou colecionador,
o proprietário enfim) durante entrevista para a imprensa deixa
escapar possuir um instrumento raro e que valeria X.
É claro que X era um valor altíssimo.        
O fato dessa entrevista ser publicada em uma revista ou jornal
dá a ela certa credibilidade mesmo que nunca especialista algum
houvesse analisado ou avaliado o instrumento.
A palavra escrita tem esse poder de ser tida como verdadeira
apenas pelo fato de estar escrita e publicada.        
É claro que depois de alguns meses esse instrumento era colocado
à venda por um valor até um pouco abaixo de X para demonstrar
a boa vontade do esperto proprietário.       
Essa prática parece estar retornando:        
Recentemente uma revista nacional publicou uma matéria onde um
músico diz possuir um contrabaixo que tem “cerca de 200 anos e
que imaginamos (ele e seu "luthier") ser francês ou italiano”.        
Essa afirmação seria apenas engraçada e ridícula se não escondesse
em si mesma, além da falta de ética, um real perigo de prejuízo
para o próximo proprietário desse instrumento e talvez até a
premeditação de quem a faz.        
É ridícula pois qualquer pessoa com um pouco de inteligência
percebe que é impossível um “especialista”, que não sabe ao menos
distinguir a origem de um instrumento entre francês ou italiano,
afirmar que ele tem 200 anos.        
Como essa pessoa sabe a diferença entre um instrumento de 200 anos e
um de 100 anos (ou 300 ou 50) se não tem a menor base no que afirma ??
200 anos soa bonito ?? É isso ??        
Mas o que ganha quem faz esse tipo de afirmação além de
demonstrar total ignorância no assunto?        
Ganha credibilidade. É ai que está o perigo.        
Sendo essa pessoa um professor de música e tendo o professor uma
ascendência e influência forte sobre seus alunos é muito fácil
convencê-los de qualquer coisa e fazê-los acreditar em lendas.        
É bem possível que aconteça, como já tem acontecido tantas vezes,
que dentro de alguns meses apareça por aqui um garoto com seu
baixo recém comprado (a essa altura já com mais de 200 anos)
francêsouitaliano (isso já é uma origem nobre e resolve tudo)
pensando ser essa maravilha que a lenda conta e eu
(ou algum outro luthier responsável) serei obrigado a
falar a verdade a ele.        
É possível até que seja um instrumento tcheco com 30 ou 40 anos.
Tudo é possível, afinal é apenas lenda! Pode ser até mesmo
um excelente instrumento. Pode ser alemão,
tudo “pode” ser, é só lenda.        
Algumas poucas pessoas até deixaram de freqüentar meu
atelier por eu não compactuar com esse tipo de manobra e
falar a verdade quando algum desavisado estava prestes a
adquirir um baixo super valorizado mas eu não posso mentir
para agradar alguém ou seu interesse, eu vivo de confiança.
Não fosse a confiança de meus clientes eu não teria já
quase 900 instrumentos restaurados aqui em meu atelier e
não atenderia aos principais contrabaixistas de todas as áreas.        
Houve até casos em que a pessoa me trouxe um contrabaixo querendo
que eu o avaliasse muito acima do que valia realmente.
Eu apontei todos os problemas do instrumento e dei o valor real
que poderia ser pedido por ele.        
Passadas algumas semanas um rapaz apareceu no atelier com esse
instrumento e me disse que o antigo proprietário afirmava que
estava tudo certo e que eu já havia visto o instrumento.
O que ele não falou foi que eu vi e falei que não valia
aquela quantia e que tinha sérios problemas.        
Ele usou meu nome para convencer o rapaz, que tentou de todas
as maneiras desfazer o negócio mas foi “enrolado” por muito
tempo até conseguir. É claro que, depois de passar para frente
por quantia absurda algo de tão pouco valor, ele não queria
aceitar ter o baixo de volta e devolver o dinheiro.        
Muitos conseguem desfazer o negócio a tempo ou até ter
o valor reduzido ao justo mas é preciso estar atento.
Quando o valor pedido é o valor real ou está próximo do
valor real é simples desfazer uma venda sem prejuízo
de nenhuma das partes.        
É por isso que eu sempre ofereci aqui em meu atelier
um serviço gratuito a todos que me procuram.        
Além de revender instrumentos usados aqui no atelier,
qualquer contrabaixo que algum cliente encontrar para
venda em qualquer lugar pode ser trazido aqui para
uma avaliação gratuita antes de efetuar a compra.
Assim, o futuro proprietário sabe exatamente o que
está comprando, quanto vale, por quanto ele venderia
no futuro, quanto ele deverá gastar para ter o instrumento
rendendo ao máximo e etc. Caso o proprietário não permita
que essa avaliação seja feita é por que tem coisa para
esconder e é melhor nem ter mais contato com tal pessoa,
muito menos comprar algo dela.        
Todos que agiram dessa maneira nos últimos 20 anos estão
contentes com seu instrumento e seguros do que tem em mãos.
Todo músico, qualquer que seja seu instrumento, que procurou
por um luthier responsável antes de adquirir seu instrumento
está seguro e feliz. São músicos que não acreditam em lendas
e vivem na realidade. São pessoas que quando passarem a um
instrumento melhor sabem o real valor de seu baixo e podem
negociar sem sustos.        
Aqui nesse site você vai encontrar muitas dicas para os
contrabaixistas na seção Dicas Úteis.
Como comprar, o que observar, como transportar,
como manter e guardar, etc.        
O aumento do número de instrumentos recém comprados que
têm chegado aqui no atelier (acompanhados de seus donos frustrados)
e que necessitam de restauração e ajustes imediatos apenas para que
possam ser utilizados e o grande número de baixos que apresentam
graves problemas mesmo tendo sido “restaurados” alguns dias antes
de chegar aqui me fizeram refletir sobre esse assunto e deixar esse
alerta para que os novatos, e os não tão novatos, não sejam mais
enganados por esses espertalhões.        
Para comprar o instrumento que vai lhe acompanhar por muito anos
é fundamental que ele seja avaliado por alguém que entenda do assunto,
e quem entende desse assunto é o luthier.
Mas não o que se diz luthier como tantos que existem hoje em dia.
Falo do luthier formado, que teve um mestre, que teve formação,
que tem nome respeitado no mercado, que estuda e dedica sua vida a isso.        
Procure em sua cidade pelos melhores luthiers, saiba com quem estudaram,
saiba quem usa seus instrumentos, quem são seus clientes,
vá conhecer os ateliers dos profissionais, converse com eles e confie
nos que estão aptos para lhe ajudar. Se em sua cidade não existir alguém
competente leve seu instrumento a um especialista em outro local
mas não caia nas mãos de curiosos.        
Como é falado na seção de Dicas dentro do site, o professor de música
não está qualificado para avaliar, restaurar ou assinar um parecer
sobre um instrumento assim como não é o professor da auto-escola
quem avalia ou opina sobre o carro que você quer comprar.
Ao adquirir um carro você o mostra a um mecânico e não ao professor
da auto-escola, essa é a lógica. Até o professor da auto-escola quando
vai comprar um carro o leva ao mecânico, como o músico responsável e
que dá valor a seu dinheiro faz indo consultar um luthier e como
fazem os professores que tem ética e respeito,
levando o instrumento para ser revendido num
atelier respeitável e de confiança.        
É claro que ele, o professor, é uma figura importantíssima na
formação do músico e é ele quem mantém viva a arte.
Seu valor é inestimável e ele pode vender seu instrumento
quando quiser e para quem quiser, mas é necessária
muita ética nessa hora.        
Existe ainda os vários casos de professores e músicos que
“trabalham” como “luthiers” nos instrumentos de seus alunos
mesmo sem qualificação para isso “aprendendo” no instrumento
dos outros e abusando da falta de ética e da falta de uma maior
qualidade na cultura erudita no Brasil, mas isso já é outra história
e vai muito longe esse papo. O importante é que você fique atento
para não cair nas “lendas” que povoam essa área e não ser enganado
quando necessitar comprar ou restaurar seu baixo.        
Toda pessoa que tem um instrumento musical ama esse instrumento.
Mesmo sabendo que ele não é dos melhores ela, no fundo,
sente que “aquele” instrumento é especial e isso é muito bonito.
Esse sentimento merece respeito.        
Um abraço e olho vivo !!

                        Paulo Gomes

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Copy and paste the following code into your website's HMTL code. Contact me for more details.
bass tuner